Era uma manhã fria, alguns acabavam de acordar na rua cordovel. A rua não era considerada perfeita mas chegava perto. Tinha arvores robustas formando um zigue-zague entre uma calçada e outra.
E atras da única árvore da rua que ficava exatamente na frente da porta de uma das casas, se encontrava Daniel, um menino de cabelos muitos escuros e lisos, com um rosto refinado, com bochechas levemente coradas pelo frio da manhã, vestia uma calça comprida, escura e surrada e uma blusa de moletom preta. Daniel nunca ligava para o frio externo, afinal, os seus pensamentos sombrios superavam todo e qualquer frio externo.
Sentado na entrada da porta de sua casa, ele olhava para uma pedra vermelha e muito brilhante em sua mão. O rubi podia ser de plastico, mas para Daniel possuiria o mesmo valor, possuiria a mesma força, a mesma saudade, o mesmo desejo de ter feito algo para salvar seu pai que qualquer rubi real.
Mesmo depois de tantos anos, nesse mesmo dia, ele sentava, pegava a pedra e revivia a cena.
"O pequeno Daniel indo com seu pai para o trabalho. Era um dia importante, dia em que seu pai sabia que iria ganhar uma promoção para um alto cargo dentro da sua empresa. Daniel ia junto com o pai pois sua mãe fora visitar sua tia em estado terminal no hospital. O pai de Daniel mostrava ao garoto um predio enorme que o final não se alcançava com os pequenos olhos do menino. Daniel tão animado corria na frente do pai para chegar logo. Nossa como ele estava animado. Mas foi quando Daniel percebeu que não devia ter largado a mão de seu pai, olhou para o lado e viu um caminhão vindo em sua direção. O motorista tenta freiar. O pequeno Daniel fica paralisado. Então o menino sente um baque muito forte no corpo, é empurrado e voa para calçada e cai batendo a cabeça no chão e nos seus poucos momentos de consciencia, abre os olhos e vê seu pai debaixo do caminhão, muito sangue no chão. Uma lagrima escorre pelo rosto escoriado do menino enquanto tudo se torna escuridão."
A pedra fora encontrada no sobretudo de seu pai no dia do acidente, segundo sua mãe, ela era um amuleto de sorte e simbolo de riqueza para seu pai. Para Daniel simbolizava o sangue que fora derramado por sua culpa. O garoto desde a morte tragica nunca fora o mesmo, sempre recluso, nunca achou que ninguem fosse melhor o bastante para substituir a amizade que tinha com seu pai, e nem mesmo queria encontrar. Com o tempo foi se tornando triste e com problemas psicologicos. Antidepressivos e controladores de humor o acompanharam durante a adolescencia.
Daniel passara a manhã inteira sentado na porta de casa, as lagrimas já haviam secado quando finos raios de sol alcançaram seus olhos, clareando os olhos castanho claros do menino, e de alguma forma, ele se sentiu bem. Por um momento, sentiu o calor o acalmando com um abraço, sentiu a presença de seu pai. Ouviu risos e gargalhadas baixas ecoando pela rua. Essa foi a primeira vez que sentia uma presença tão forte assim.
E enquanto as lembranças o deixavam, sua mãe apareceu na porta com seu roupão:
-Dani, o que você está fazendo aí na rua. Entre por favor. Eu sei que você está com o rubi meu amor, não tente nem esconder. Acho que você já está tempo demais ai fora. Entre por favor!
Daniel assentiu e entrou se sentindo melhor mas não menos culpado.